Palavras Sobre Qualquer Coisa

Local onde as palavras sobre a alma e o cotidiano podem se encontrar. Palavras coisificando o mundo!

O culpado ocupando-se das palavras

Vinícius Silva
Baixada Fluminense, Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro.
Sou um amante das palavras, de todas elas. Também sou amante das pessoas, mas como "pessoas" também é uma palavra... Quem sou eu? Poeta, professor, cantador de chuveiro, apertador de sobrinho, bocejador de sono mal dormido, beijador de namorada, escrevinhador de bobagens, apaixonador de amigos, irritador de mãe, irritador de pai, fraquejador de medos e encorajador de desafios. Também sou cientista social, mestre em sociologia e doutorando em planejamento urbano e regional, mas isso é apenas um detalhe.
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O email do blog: espirito_dacoisa@hotmail.com

O podcast do PSQC - A transformação das coisas em palavras sonoras


domingo, 22 de novembro de 2009

covarde


Às 10:30h do dia 19/11/2009 tentei entrar em uma agência da Caixa Econômica Federal para assinar a escritura e o contrato de financiamento do apartamento que comprei junto com minha minha noiva. Fiquei preso na porta giratória. Já tinha decidido há algum tempo que não permitiria ser humilhado publicamente, quase tendo que mostrar minhas roupas íntimas (cueca) a um banco em que eu iria PAGAR pelos serviços.

Após ficar preso à porta, decidi ligar para o 190. Já tinha colocado todos meus objetos metálicos na caixinha da porta, mas não tinha aberto minha mochila por saber que não sou obrigado a fazê-lo e por entender que não havia nada dentro da mochila que impedisse da porta girar, somente o dedo do segurança no controle remoto, travando-a. Falei rapidamente com a Polícia Militar (lembrando que estava na Cinelândia, Centro do Rio, se estivesse em um bairro do subúrbio ou da Baixada, não sei se haveria tanta presteza).

Mas algo aconteceu. Minha ante-cidadania, minha covardia de ser cidadão falou mais alto. Intimidado pela fala agressiva do segurança, pelo nervosismo da minha noiva, pela minha covardia, abri todas as abas de minha mochila, onde só continham... papéis. Papéis que provavam somente o professor que eu sou.

Passei pela porta, subi ao segundo andar da agência. Ordeiro, pacato. Subi para assinar meu contrato e PAGAR pelos serviços de assessoria da Caixa (por uma rápida pesquisa feita pela internet para saber se posso ou não ter crédito, pagamos R$ 400, 00 reais). Por incrível que pareça a polícia apareceu. Escutei o segurança dando alguma prestação de contas ao policial que queria saber o que tinha acontecido. E permaneci sentado, lá encima, ordeiro, prontinho para PAGAR pelo meu bem, como bom cidadão que sou.

Enquanto estava sentando ao lado de minha companheira, senti aquela sensação amarga na boca. Aquela vontade de tudo quebrar, de tudo gritar. E o gosto azedo das palavras que me perseguem desde aquele momento: COVARDE, COVARDE.

Algo está fora da ordem. Ou eu não mereço esse país, ou ele não me merece.

COVARDE, COVARDE.

Ainda queima em meus ouvidos.

COVARDE.



Agência da Caixa Economica Federal- Cinelândia/RJ.
Praça Floriano.


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segunda-feira, 16 de novembro de 2009


"Por um fio" - Drauzio Varella
Companhia Das Letras - 2004




Drauzio Varella, médico oncologista, ficou famoso e reconhecido por "Estação Carandiru", livro com grande repercussão nacional e que se tornou filme nas mãos do diretor Hector Babenco. E por sinal, e infelizmente, a versão cinematográfica não condisse com a qualidade da história pela qual se inspirou.

Posteriormente o médico paulista passou a ter quadros sucessivos sobre saúde pública no semanal televisivo Fantástico, da Rede Globo. Ultimamente tenho lido algumas críticas ao médico-escritor, e sua figura-literatura de alcance extremamente popular, mais pelo que se refere à sua imagem na telinha. O problema é que no Brasil ninguém pode ser popular, na verdade o termo "popular" causa ojeriza a quase todos que se considerem um pouco mais letrados ou que se classifiquem como "formadores de opinião".

De qualquer forma Drauzio é um observador sensível e atento, e sua curta obra literária demonstra a busca por uma humanização em uma área onde, de forma inusitada e espantosa, há uma excedente mecanização de procedimentos. Qual é esta especialidade? A medicina, especialmente a clínica. Talvez haja uma explicação histórica e contextual para essa desumanização persistente na clínica médica em geral e especialmente em nosso país.

Primeiramente a medicina se associou à consagração da ciência no período que denominamos como "modernidade". Onde na passagem do século XIX para o século XX, as ciências alcançaram o status de objeto mais próximo da verdade que o homem poderia chegar. E nesta premissa científica, impregnada da filosofia cartesiana, os pacientes são meros objetos para o diagnóstico de seus males, e os médicos são os seres-sapiência que poderão aferir os medicamentos e procedimentos necessários para poder proporcionar a cura àqueles obje... quer dizer pacient... quer dizer... pessoas. Outro fator primordial para essa desumanização é o caos do serviço público do sistema único de saúde brasileiro (SUS), assim como a precariedade em quase todos os países pobres da América Latina em relação à saúde pública, onde pessoas e gado se confundem (no Brasil a saúde do gado bovino é melhor do que a saúde da população em geral), e onde médicos atuam em condições semelhantes a estados de sítio ou guerra. Humanizar o atendimento aos pacientes nestas condições deve ser realmente difícil, quase impossível, mas a tentativa dos profissionais de saúde pública também deve ser imprescindível e necessária. Um juramento foi feito antes de se jogar os canudos ao alto nas comemorações de formaturas.

Os livros de Varella indicam a tendência, observando as práticas médicas de meados do século XX até a virada para o século XXI, a uma re-humanização da clínica médica. E qual melhor tema para tratar dessa reaproximação da "ciência que salva vidas" para com a vida do que a... morte. Sim. A morte é o principal tema abordado pelo médico-autor desde seu primeiro livro, "Estação Carandiru". O importante é notar como a morte é enxergada neste processo e nas observações feitas durante a sua obra (lembrando que Drauzio também tem um livro infantil, que não li).

Em "Estação Carandiru" o primeiro movimento é o de aproximação-estranhamento às pessoas tidas como não-humanas, animais que perderam sua capacidade de viver em sociedade e que agora devem viver enjaulados, sobrevivendo como selvagens. E é diante deste quadro que surge a primeira grande questão ética levantada por Drauzio. "Por que eu deveria me preocupar com a vida e a saúde de assassinos, estupradores, ladrões e traficantes?". A primeira resposta para esse dilema vem na forma do pacto firmado ao se levantar o braço no dia da formatura e jurar defender sua profissão com a maior dignidade possível. A segunda resposta, e talvez a que seria a mais simples, mas não é, é a percepção de que aquelas pessoas são realmente humanas, e que em todas as nossas barbáries sempre existirá a possibilidade do erro, e do perdão. E que naquele momento, em pleno Carandiru, o médico-humano não deveria olhar para a ficha-criminoso, e sim para o ser-humano-enfermo. Essa é a preocupação primordial que Varella nos descreve em sua experiência no então maior complexo prisional do país.

A morte relatada neste momento é quase que inevitável (mas a morte não é inevitável mesmo?). No Carandiru a morte ou viria pela AIDS, ou pelas drogas, pelas doenças agravadas pelos dois fatores anteriormente citados, pelo assassinato encomendado, pelo assassinato por dívida ou pelo assassinato pelas mãos do Estado. Lembremos que Drauzio conheceu parte dos 111 detentos mortos pela polícia militar de São Paulo, em 1992. E foi através da morte-barbárie demonstrada no Carandiru, que o autor tentou mostrar o quanto humanos ainda somos, principalmente em nossas fraquezas e misérias, mas também nas vivas e verdadeiras histórias contadas por detentos/amigos que fez na Casa de Detenção.

A morte apresentada em "Por um fio" é diferente. E ainda continua inevitável. É a morte marcada e trazida pela doença, sem o pendor da justiça ou da injustiça. É a morte e a sua possibilidade real para ricos e pobres, assistidos ou desassistidos.

Neste livro o médico revela as histórias dos pacientes diagnosticados com câncer, quase todos em situações graves e quase sempre irreversíveis. Esta morte próxima, apresentada nas histórias descritas por Drauzio, mostra que diferente das mortes violentas, a possibilidade de perder a vida lentamente pode trazer novas perspectivas para a... vida! Sim, vida e morte caminhando juntas, como sempre foi e sempre será. É que às vezes nos esquecemos disso.

Em "Por um fio" a real sensação de que a linha final chegou traz uma interessante percepção. A morte para os jovens e para os vivos vem carregada com uma roupa quase sempre parecida. A pena. A piedade. A vitimização. O preconceito com o defunto ambulante.

A morte, encarada pelos pacientes nas histórias de vida relatadas por Varella, é mostrada como algo que pode ser uma passagem, um marco, uma chegada, apesar de não deixar de anunciar o seu eterno mistério. Mas essas histórias também não deixam de revelar as dores, os medos, as perdas, as separações. Não há outra saída. A morte é uma ruptura sem volta, ainda mais segundo nossos fortes preceitos materialistas. Mesmo assim é descrita nos relatos como algo que pode ser percebido como uma antecipação inevitável, porém sem ser transformada em uma tragédia monstruosa. A morte é a tragédia do desconhecido, mas pode ser vivificada com imensa dignidade.

"Por um fio" mantém a mesma estrutura de "Estação Carandiru": Uma introdução da experiência do autor e de qual "lugar" ele está falando. Posteriormente temos pequenas e médias histórias narradas em primeira pessoa, onde o narrador relata os "casos" de seus pacientes com suas emoções e ponto de vista pessoal. Em alguns momentos essas histórias se entrelaçam e dialogam, sempre mantendo sua temática principal, o exaurir da vida, como fio condutor das emoções e sentimentos.

E novamente a grande questão de Drauzio retorna. Qual é o papel da medicina? Qual é a função do médico junto a seu paciente? Manter a vida a qualquer custo? Ou identificar as necessidades do paciente/agente e descobrir com ele quais são suas expectativas e seus desejos para atacar/amenizar seu mal? O médico aponta a segunda opção como a escolhida por ele e demonstra que mais do que simplesmente salvar vidas, a medicina possui outra característica primordial, que é a de amenizar e diminuir a dor das pessoas. E é essa a grande questão que parece perpassar a obra do médico-homem Drauzio Varella. A grande prova do que digo e encerro, neste momento, é o emocionante relato final e familiar dado pelo autor no último capítulo de "Por um fio".

Bons livros!

Obs.: O tema abordado no livro de Drauzio poderá ser melhor compreendido ao se assistir "Um golpe do destino" (The Doctor), com William Hurt, 1991.

Obs. 2: Esta resenha/artigo pode ser publicada(o) no Portal Literal, mas precisa dos votos dos leitores. É mole, basta fazer um rápido cadastro no site, entrar em "fila de votação: artigos: Por um fio" e votar. Agradeço mais uma vez aos amigos leitores.


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Observação 4:


OAB/RJ- As campanhas

Hoje estava tentando andar (torci o tornozelo) pelas ruas de Nova Iguaçu para ir ao Fórum entregar uns documentos do SERH e depois passar no Hospital, quando reparei dezenas de pessoas com camisas coloridas e números às costas, bandeiras com fotos de pessoas desconhecidas e senhores uniformizados (leia-se "terno e gravata") caminhando em bandos.

Logo pensei: "Ué, o TSE liberou a propaganda política antes do tempo?". Ledo engano, tolinho. Na verdade eram campanhas, em plena rua, tentando arrebatar votos para a nova presidência da OAB - Ordem dos Advogados do Brasil. Campanhas nas ruas? Mas só quem pode votar não é quem tem a famosa carteirinha?

Tenho um companheiro de trabalho que é advogado e que foi obrigado a votar hoje. Pelo visto o voto dos filiados à OAB também é obrigatório. Mas o que mais me chamou a atenção foi o fato de haver campanhas com um número considerável de pessoas e obviamente com um custo elevadíssimo em uma cidade média/grande como Nova Iguaçu (que não é uma metrópole). Fico imaginando o custo dessas campanhas na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo.

Outro detalhe interessante: Segundo esse mesmo companheiro de trabalho, o cargo de presidente da OAB não é remunerado. Engraçado... então esse trabalho deve ser muito bom mesmo, muito digno, etc. Não sei não, mas acho que como não há remuneração, deve haver outros dividendos neste cargo, ou então não investir... gastariam tanto nessas campanhas. Quem sabe não pode pintar em um futuro próximo, por exemplo, uma vaguinha como deputado estadual, ou como deputado federal, ou uma presidência de tribunal aqui, outra acolá...

Bom, deixa eu parar por aqui porque não tenho dinheiro para pagar processo não...

Besos e bons advogados para esse país.

sábado, 14 de novembro de 2009

ESGOTAMENTO POÉTICO



ESGOTAMENTO POÉTICO


Um rio cheio e tortuoso varreu o que havia.
Árvores, galhos, troncos,
pensamentos, alegrias,
contentamentos,
porcarias.

Agora
todas as coisas
pingam.
Uma a uma

gota
a
gota
a
gota
a
gota.

Até o bueiro das ideias novamente
transbordar.

E o odor das palavras, eca,
começar a te incomodar.

Argh!
Fedantina pesada
empestando teu
ar.

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terça-feira, 10 de novembro de 2009

O amor é maior, sempre



video


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Por favor, assistam até o final!

Imperdível.

Besos.



segunda-feira, 2 de novembro de 2009

óbvio



Olhar é escolha.
E talvez por isso o óbvio nos pareça,
às vezes,
tão doloroso.

A criança pedinte, o mendigo com fome,
o filho egoísta, a doença mental,
o vício,
o desamor, a solidão,
o corpo morto, o animal indefeso,
o estalar do dedo, a falta de dinheiro,
desemprego,
o soco, o tapa, o beijo,
o homem cego, a mulher surda, o idoso obeso,
a família sem endereço,
a falta do berço,
rezar o terço,
rezar ao menos um terço,
o amigo sem apreço,
o apego.

O olhar é escolha.
E deve ser por isso que escolhi
mirar o que é de dentro e dizer essas palavras.
Por quê?

Porque neste momento,
e só neste momento.
O que consegui enxergar era
simplesmente
o
óbvio.

Óbvio?


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Mi ángel, por João Lossio


Un ángel envuelto en colores blancas, iluminado, iluminando.

Paños cercam su cuello y su cuello es despampanante.

Su cuerpo es despampanante,

Sus pies son despampanantes

Su todo es un desconcierto

y sus ojos tragamme con el mar.

Pero, en verdad, es su alma que acerca todo

e reúne todo que es mio.


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J0ão Lossio é formado pelo IBMEC-RJ e atualmente é economista da Petrobras. Já foi oficial da marinha, mas aquela vida não era para ele. Canta quase todos os sambas que já se teve conhecimento. Músico, pandeirista, melodista incomparável e parceirinho da melhor qualidade. Temos ainda muita música para escrever nessa vida afora.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Pra você, por Rodrigo Viegas


Recebi alguns dias atrás o email de um amigo que já contribuiu com um belo texto aqui no PSQC, o "O próprio opróbio", na secção CONVIDADOS. E não é que para minha surpresa essa mensagem veio com dois textos dedicados a mim. Não preciso nem dizer o quanto fiquei emocionado com a lembrança e pelo carinho desse amigo.


Acredito que não há melhor maneira ou forma de retribuir suas palavras do que publicizar toda a sua competência intelectual e sensibilidade, que podem ser observadas nos dois textos abaixo. O nome desse amigo?

Rodrigo Viegas

Vamos às suas palavras:


"Vinícius, Cada vez gosto mais do seu blog. As palavras têm o poder de me levar até você. Não sou de internet, de blog, twitter, orkut. Tudo o que escrevo escrevo no lápis e guardo. Mas lendo e escutando seu blog, escrevi duas poesias pra você. A primeira vai para o grande crítico desse mundo que nos cerca e do qual somos parte. Um mundo que por vezes nos sentimos encaixados e por outras nos sentimos alienígenas. Rs.



Mundo a-crítico
(título dado por Vinícius Silva)

Revolvendo a merda fóssil,
Perscrutando dias escuros.
Talvez perguntareis por mim.

Filho do anunciado fim da história, das ideologias, das classes, da modernidade.

Vivendo a sociedade do espetáculo, o sinoptismo, o desencaixe espaço-temporal, a Ágora desvitalizada pelo público colonizado pelo privado.

O que outrora era pesado, fixo, tornou-se fluido, volátil.
O corpo, de rijo, saudável, virou flexível, estético.
A mente, de comparativa tornou-se relativista.
A doxa funcional e estrutural deu vez ao sistema, a rede, ao inter-relacional.
O justo deu lugar ao eficaz.

Nesse pouco admirável mundo novo, os inseguros, instalados comodamente na apatia e no hedonismo, têm apenas a atitude de atuar contra seus melhores juízos.

Débeis de vontade e desesperados ante a debilidade de seus referentes morais, enfrentam-se consigo mesmos: não são indivíduos unos, senão múltiplos e, por essa razão, seus próprios inimigos.

Teleologicamente cabe a cada indivíduo fazer constantes opções no árduo dever de criar sua auto-biografia.
Os fins já não justificam os meios. Num mundo desencantado, o vazio e a dor da desfiliação faz crescer a farmaco-danação.

Se encontrares a merda fresca,
E prescrutares dias incertos.
Pergunte por mim!
Pergunte pelo eunuco em plena apologia da ereção.


A segunda vai para o cara sensível, carinhoso, honesto e sincero. Por você ser assim, acredito que entenderá a grande dificuldade de um toque verdadeiramente sincero, de um abraço sincero.


O toque do abraço

Não me toque!
Não me abraces!
Se for só por fazer
Se for só demonstrar
Que aquilo que se dá, se recebe; aquilo que se recebe, se dá.

Não me toque!
Não me abraces!
Se não houver carinho
Se não for verdadeiro
Se não for pra me sentir
Se não for pelo prazer
Que aquilo que se dá, se recebe; aquilo que se recebe, se dá.

Não me toque!
Não me abraces!
Quando um aceno for o suficiente
Quando um aperto de mão já baste
Quando é só preciso constar
Que aquilo que se dá, se recebe; aquilo que se recebe, se dá.

Não me toque!
Não me abraces!
Se não for por mostrar que não dá pra traduzir no olhar
Se não for por mostrar que não dá pra traduzir em palavras
Se não for por mostrar que a distância
Entre aquilo que se dá e se recebe
Não mais existe
Perdeu-se na troca
Perdeu-se no toque
De um abraço
puro,
sincero,
pleno.


Um abraço puro, sincero, pleno de quem está sempre te acompanhando nas palavras


Rodrigo".


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Rodrigo, muito, muito obrigado.
Besos.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

pedra bruta


Meu corpo é pedra bruta.
Na verdade bruto eu sou.
Pedra é minha teimosia.
Não quebra.
Fica bruta.
Puta.

As ideias brutas vêm, surgem,
Nascem como pedras,
Virgens,
Minerais,
Misturadas à terra.

Bruta é a vontade de lançar as palavras.
Jogá-las para fora como as pedras que
Chicoteiam a superficie das águas,
Na profundidade do mundo,
No girar infindo.

Esmerilho meus sais sólidos,
Os corto,
Polindo suas arestas,
Dando contornos mais concisos,
À ideia que se presta.

Mas nem todas tornam-se preciosas.
Não é preciso.
Porque precisão não faz parte da vida de quem lhes dá forma.
Precisão só é busca.
A visão do que é lido depende da intersecção do que olha e do que é visto.

O brilho das pedras depende dos olhos que também cintilam.
A função primordial do artista é carregá-las aos bolsos,
Aos montes.
Tê-las em mãos.
Guardá-las por perto.

Porém jogo minhas pedras ao chão,
Ao mar,
E ao ar,
Para que o vento das rimas e prosas as carreguem.
Para quem delas precisar.

Meu coração é pedra bruta,
E é o que somente de mim,
Neste universo infinito,
Provavelmente
Restará.

Pedra
Bruta
Pedra
E
Luta.


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domingo, 18 de outubro de 2009

2 ANOS DO "PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA" ! O NOSSO PSQC !



Completamos hoje nosso segundo aniversário. Obrigado aos amigos e leitores! Que ano que vem, nesta mesma data, eu esteja aqui para comemorar com vocês. Obrigado mais uma vez.

E na história percorrida nesses 2 anos, tivemos comentários e observações de pessoas importantes e famosas no cenário nacional, internacional, interplanetário e espiritual.

Duvidam?

Vamos à prova:


A mãe do autor do blog: "Ah, o blog é tão fofo, não entendo tudo o que meu fil... ops... o autor escreve, mas sei que ele é muito lindo, inteligente, charmoso e ainda parece com a mãe".

O pai do autor do blog: "Você tem como ganhar algum dinheiro com esse tal de blog?"

A namorada do autor do blog: "O blog é ótimo, e o autor superinteligente, e eu adoro a barriguinha sexy dele".

O gerente do banco do autor do blog: "Olha! Aquele cheque voltou, passe aqui na agência urgente... por sinal... seu blog é bem legal!".

Dercy Gonçalvez: "Puta que par... filh... da put... morri caralh... quê... eu não leio porra de blog nenhum..."

Arnaldo Jabor: "O autor desse blog PSQC não passa de um pseudo-intelectual-de-esquerda e que possui uma pretensa vontade de transformar a realidade desse tradicional e monstruoso complexo de inferiodade da cultura brasileira, além disso... (cortado por excesso de caracteres)".

Olavo de Carvalho: "Esse rapaz e esse blog são subversivos, tenho provas concretas de ligações entre seu autor e criador com as FARC".

Paulo Francis: "Sei que o escritor desse sítio nasceu em Mesquita... Pelo menos não foi no Piauí".

Regina Duarte: "Eu tenho medo! Não é minha gente..."

Stephen Hawking:" ..................................................".

George W. Bush: "Posso dizer que esse blog é uma forte indicação da presença de armas de destruição em massa no Brasil".

Martin Luther King: "Eu tenho o sonho de que todas as pessoas possam ter internet gratuita e ler o Palavras Sobre Qualquer Coisa".

Lula: "Ninguém segura esse país, ainda mais com essa produção intelectual tão avassaladora, o Palavras Sobre Qualquer Coisa está aí para comprovar isso, companheiros".

Ronaldo, o Fenômeno: "Depois de sair com travecos a minha segunda maior diversão é ler o blog Palavras Sobre Qualquer Coisa".

Pelé: "Olha gente, o Edson Arantes do Nascimento adora esse blog, depois de ler testes de DNA para comprovação de paternidade, é a segunda coisa que ele mais lê. Se é que vocês me entendem...".

Salvatore Cacciola: "Em minhas férias em Mônaco eu vivia lendo o PSQC. Será que na prisão aqui do Brasil tem banda larga? Se não tiver vou mandar instalar uma".

Daniel Dantas: "Eu e meu amigo Gilmar (Mendes) vivíamos comentando sobre os textos incríveis do PSQC. Estávamos até pensando em contratar este fenomenal escritor para nos... ops... minhas empresas".

Gilmar Dantas: "As decisões do STF são absolutas, e eu adoro o PSQC. Nada mais a declarar".

Rei Juan Carlos de Espanha: "!Por que no te callas... y escucha el Podcast del "Palavras Sobre Qualquer Coisa!""

Vicent van Gogh: "O Podcast do PSQC é de arrancar as orelhas!"

Beethoven: "Heim?"

Michael Jackson: "Eu fico branco de espanto quando leio os textos incríveis do PSQC. As muitas crianças lá de casa A-DO-RAM!".

William Shakespeare: "Ler ou não ler. O Palavras Sobre Qualquer Coisa é a solução".

José Saramago: "A vida é ruim. As pessoas são ruins. Tudo é ruim. E o PSQC é pior ainda".

Mulher que apanhou do marido: "Meu marido chegou em casa e me pegou ouvindo esse tal de Palavras Sobre Qualquer Coisa. Tomei uma surra! Nunca mais vou escutar essas porcarias da internet".

Homem que bateu na esposa: "Chego em casa cansado, depois de um dia inteiro de trabalho cheio de exaustividade e vejo minha mulé ouvindo obscenidades pelo cumputador. Num me aguentei e porrei ela".

Delegada que prendeu o marido que bateu na esposa: "Este indivíduo-meliante foi preso em flagrante de acordo com a Lei Maria da Penha por agressão contra sua companheira e com um agravante: impediu sua referida senhora de ler e ouvir o maravilhoso blog de poemas lindíssimos, o Palavras Sobre Qualquer Coisa. O caso indica que é coisa de 20 anos ou mais de retenção. E tenho dito".

Kim Jong-il (ditador norte-coreano): "Eu vou explodir tudo, porra! Eu vou explodir tudo, porra! Chamem o autor do PSQC, eu só negocio com ele".

Papai Papudo (querido personagem secundário do lendário programa infantil "Bozo"): "Qual é a melhor hora para ler o Palavras Sobre Qualquer Coisa???? Cinco e sessenta! (5:60)".

Roberto Justus: "Quem criou esse tal de PSQC é um incompetente, um falastrão, uma vergonha para qualquer jovem-universitário-no-mundo-dos-blogs-literários. Já se passaram quase 2 anos da criação desse tal blog e quanto ele faturou com isso? Quanto dinheiro ele ganhou com esses poeminhas? Não tem espírito empreendedor. Por isso digo, com muito pesar no coração, que o senhor idealizador deste tal de PSQC, está... DEMITIDO!".

Felipe Massa: "Eu fico zonzo quando leio o Palavras Sobre Qualquer Coisa".

José Sarney: "Venho informar que eu não tenho ab-so-lu-ta-men-te nada com a indicação do senhor escritor, por sinal muito talentoso, do blog Palavras Sobre Qualquer Coisa para ser o resenhista oficioso dos atos ultra-mega-secretos do Senado".

Joe Jackson: "Venho informar que meu filho Michael morreu (pausa emocionada de 2 segundos). Também venho informar que estou criando uma nova gravadora para o lançamento de incríveis novos talentos e que sou fã de um blog brasileiro de poesias, o Palavras Sobre Qualquer Coisa. É lá que eu busco inspiração e procuro todos os sentimentos que me fazem ser um homem bom. Tá na cara, né? Venho informar também que já estão sendo vendidos os ingressos para a comemoração de 1 ano da morte do meu filho".

Barack Obama: "Olimpíadas 2016?!?! Eu num queria mesmo, eu num queria... Michelle, não estou para ninguém, irei ler o PSQC".

Osama Bin Laden: "Gostaria de dizer que depois do 11 de Setembro, mantenho uma célula terrorista em pleno território brasileiro. A senha para toda a destruição da América do Norte é... PSQ...".


Viram? Se toda essa gente já leu, comentou e deu uma espiadinha... por que você não iria também dar (plágio de Pedro Bial).


Em breve teremos novidades. Visuais e textuais. Aguardem e continuem nos acompanhando.


Besos.


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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Fragmentos de Jackson Pollock







































































































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*Imagens obtidas em qualquer pesquisa rápida pela Net

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Azul Metálico


AZUL METÁLICO

Estréia no dia 8 de outubro, no Espaço Sesc – Mezanino, a peça “Azul Metálico”, com dramaturgia inédita inspirada na obra e no pensamento de Andrei Tarkovski, um dos mais inovadores e importantes cineastas soviéticos do século XX.

Do mesmo diretor e grupo que encenou “Elogio da Loucura” e “Entropia”, este último indicado pela crítica de O Globo como um dos 10 melhores espetáculos de 2008, “Azul Metálico” é inspirado na obra “Stalker”, de Tarkovski.

A ação de “Stalker” se passa num período de pós-guerra, sob o fantasma do fim das esperanças. Os personagens fazem um perigoso percurso por um estranho território chamado “a zona”. A zona é um local de acesso proibido ao qual só se chega de forma clandestina conduzido por um guia. O destino desse percurso é uma sala na qual, segundo dizem, o desejo mais íntimo de qualquer pessoa será realizado.

Em “Azul Metálico”, a zona será representada por um parque de diversão desativado, local que antes se prestava a distrações, sensações intensas e efêmeras, e que agora está impregnado por fantasmagorias. Ali surge a lenda de um brinquedo realizador do desejo mais sincero e sofrido: esse brinquedo é procurado talvez para se encontrar o desconhecido, para que seus visitantes ainda fiquem surpresos e atônitos diante dele.

ANDREI TARKOVSKI

Os filmes de Tarkovski foram realizados considerando que as pessoas não estão sozinhas e abandonadas num universo vazio, mas ligadas por laços incontestáveis ao passado e ao futuro. A esperança de que cada existência individual e cada ação humana tenha um significado intrínseco torna a responsabilidade do indivíduo em relação ao curso geral da vida incalculavelmente maior. Num mundo em que os males sociais existem em uma escala assustadora, é preciso rever o modo como as pessoas se encontram umas com as outras. O parque de diversões de AZUL METÁLICO é o território do reencontro, tanto consigo mesmo quanto com o outro. Estando desativado, o parque representa um local onde podemos revisitar nossos fantasmas e nossas memórias coletivas; é também uma lembrança do primeiro caminho, uma necessidade de lidar com o mais íntimo e profundo querer, com suas efervescências múltiplas, tudo o que expressa a vitalidade crescente neste princípio de milênio. A vida, que acreditávamos extenuada, pode retomar força e vigor.

INFORMAÇÕES

Dramaturgia coletiva, inspirada na obra e no pensamento do cineasta Andrei Tarkovski. Direção de Marcelo Mello. Com Alexandre Braga, José de Brito, Liliane Rovaris, Luisa Friese, Marcos Nauer e Regina Melo. Sinopse: Um parque de diversões desativado é visitado por pessoas que buscam encontrar seus sonhos. O local que antes se prestava a distrações, sensações intensas e efêmeras, agora está impregnado por fantasmagorias. Ali surge a lenda de um brinquedo realizador do desejo mais sincero.
Local: Espaço Sesc – Mezanino (100 lugares). Rua Domingos Ferreira 160, Copacabana (2547-0156). Ingressos: R$16 (inteira), R$8 (estudantes e acima de 60) e R$4 (comerciário). Temporada: Quinta e Domingo às 20h. Sexta e Sábado às 21:30.
Duração: 100 minutos. Classificação: 16 anos
Temporada de 08 de outubro até 25 de outubro de 2009.

SOBRE O GRUPO

Em 2003, após a encenação de ELOGIO DA LOUCURA de Erasmo de Rotterdam, sob direção de Marcelo Mello, no CCBB do RJ, formou-se um grupo de pesquisa. A partir do estudo dos grandes encenadores e pensadores de teatro, partiu-se para estudos mais amplos, na área de filosofia, artes plásticas, cinema, literatura e ciências sociais. Essa pesquisa resultou no espetáculo ENTROPIA (indicado pelo jornal O Globo um dos 10 melhores espetáculos do ano), que estreou em janeiro de 2008, mais uma vez no CCBB, obtendo grande receptividade da platéia, tanto dos espectadores familiarizados com o estudo da filosofia quanto daqueles que experimentavam seu primeiro contato com este universo. Discutia-se nessa peça a construção da cidade ideal, as diversas utopias já realizadas – e o perigo de sua concretização no mundo de hoje.

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