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"Por um fio" - Drauzio Varella
Companhia Das Letras - 2004

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Marcadores: Literatos
Observação 4:
OAB/RJ- As campanhas
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Marcadores: Convidados
A segunda vai para o cara sensível, carinhoso, honesto e sincero. Por você ser assim, acredito que entenderá a grande dificuldade de um toque verdadeiramente sincero, de um abraço sincero.
O toque do abraço
Não me toque!

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Marcadores: Convidados
Meu corpo é pedra bruta.
Na verdade bruto eu sou.
Pedra é minha teimosia.
Não quebra.
Fica bruta.
Puta.
As ideias brutas vêm, surgem,
Nascem como pedras,
Virgens,
Minerais,
Misturadas à terra.
Bruta é a vontade de lançar as palavras.
Jogá-las para fora como as pedras que
Chicoteiam a superficie das águas,
Na profundidade do mundo,
No girar infindo.
Esmerilho meus sais sólidos,
Os corto,
Polindo suas arestas,
Dando contornos mais concisos,
À ideia que se presta.
Mas nem todas tornam-se preciosas.
Não é preciso.
Porque precisão não faz parte da vida de quem lhes dá forma.
Precisão só é busca.
A visão do que é lido depende da intersecção do que olha e do que é visto.
O brilho das pedras depende dos olhos que também cintilam.
A função primordial do artista é carregá-las aos bolsos,
Aos montes.
Tê-las em mãos.
Guardá-las por perto.
Porém jogo minhas pedras ao chão,
Ao mar,
E ao ar,
Para que o vento das rimas e prosas as carreguem.
Para quem delas precisar.
Meu coração é pedra bruta,
E é o que somente de mim,
Neste universo infinito,
Provavelmente
Restará.
Pedra
Bruta
Pedra
E
Luta.
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AZUL METÁLICO
Estréia no dia 8 de outubro, no Espaço Sesc – Mezanino, a peça “Azul Metálico”, com dramaturgia inédita inspirada na obra e no pensamento de Andrei Tarkovski, um dos mais inovadores e importantes cineastas soviéticos do século XX.
Do mesmo diretor e grupo que encenou “Elogio da Loucura” e “Entropia”, este último indicado pela crítica de O Globo como um dos 10 melhores espetáculos de 2008, “Azul Metálico” é inspirado na obra “Stalker”, de Tarkovski.
A ação de “Stalker” se passa num período de pós-guerra, sob o fantasma do fim das esperanças. Os personagens fazem um perigoso percurso por um estranho território chamado “a zona”. A zona é um local de acesso proibido ao qual só se chega de forma clandestina conduzido por um guia. O destino desse percurso é uma sala na qual, segundo dizem, o desejo mais íntimo de qualquer pessoa será realizado.
Em “Azul Metálico”, a zona será representada por um parque de diversão desativado, local que antes se prestava a distrações, sensações intensas e efêmeras, e que agora está impregnado por fantasmagorias. Ali surge a lenda de um brinquedo realizador do desejo mais sincero e sofrido: esse brinquedo é procurado talvez para se encontrar o desconhecido, para que seus visitantes ainda fiquem surpresos e atônitos diante dele.
ANDREI TARKOVSKI
Os filmes de Tarkovski foram realizados considerando que as pessoas não estão sozinhas e abandonadas num universo vazio, mas ligadas por laços incontestáveis ao passado e ao futuro. A esperança de que cada existência individual e cada ação humana tenha um significado intrínseco torna a responsabilidade do indivíduo em relação ao curso geral da vida incalculavelmente maior. Num mundo em que os males sociais existem em uma escala assustadora, é preciso rever o modo como as pessoas se encontram umas com as outras. O parque de diversões de AZUL METÁLICO é o território do reencontro, tanto consigo mesmo quanto com o outro. Estando desativado, o parque representa um local onde podemos revisitar nossos fantasmas e nossas memórias coletivas; é também uma lembrança do primeiro caminho, uma necessidade de lidar com o mais íntimo e profundo querer, com suas efervescências múltiplas, tudo o que expressa a vitalidade crescente neste princípio de milênio. A vida, que acreditávamos extenuada, pode retomar força e vigor.
INFORMAÇÕES
Dramaturgia coletiva, inspirada na obra e no pensamento do cineasta Andrei Tarkovski. Direção de Marcelo Mello. Com Alexandre Braga, José de Brito, Liliane Rovaris, Luisa Friese, Marcos Nauer e Regina Melo. Sinopse: Um parque de diversões desativado é visitado por pessoas que buscam encontrar seus sonhos. O local que antes se prestava a distrações, sensações intensas e efêmeras, agora está impregnado por fantasmagorias. Ali surge a lenda de um brinquedo realizador do desejo mais sincero.
Local: Espaço Sesc – Mezanino (100 lugares). Rua Domingos Ferreira 160, Copacabana (2547-0156). Ingressos: R$16 (inteira), R$8 (estudantes e acima de 60) e R$4 (comerciário). Temporada: Quinta e Domingo às 20h. Sexta e Sábado às 21:30.
Duração: 100 minutos. Classificação: 16 anos
Temporada de 08 de outubro até 25 de outubro de 2009.
SOBRE O GRUPO
Em 2003, após a encenação de ELOGIO DA LOUCURA de Erasmo de Rotterdam, sob direção de Marcelo Mello, no CCBB do RJ, formou-se um grupo de pesquisa. A partir do estudo dos grandes encenadores e pensadores de teatro, partiu-se para estudos mais amplos, na área de filosofia, artes plásticas, cinema, literatura e ciências sociais. Essa pesquisa resultou no espetáculo ENTROPIA (indicado pelo jornal O Globo um dos 10 melhores espetáculos do ano), que estreou em janeiro de 2008, mais uma vez no CCBB, obtendo grande receptividade da platéia, tanto dos espectadores familiarizados com o estudo da filosofia quanto daqueles que experimentavam seu primeiro contato com este universo. Discutia-se nessa peça a construção da cidade ideal, as diversas utopias já realizadas – e o perigo de sua concretização no mundo de hoje.

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