Palavras Sobre Qualquer Coisa

Local onde as palavras sobre a alma e o cotidiano podem se encontrar. Palavras coisificando o mundo!

O culpado ocupando-se das palavras

Vinícius Silva
Baixada Fluminense, Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro.
Sou um amante das palavras, de todas elas. Também sou amante das pessoas, mas como "pessoas" também é uma palavra... Quem sou eu? Poeta, professor, cantador de chuveiro, apertador de sobrinho, bocejador de sono mal dormido, beijador de namorada, escrevinhador de bobagens, apaixonador de amigos, irritador de mãe, irritador de pai, fraquejador de medos e encorajador de desafios. Também sou cientista social, mestre em sociologia e doutorando em planejamento urbano e regional, mas isso é apenas um detalhe.
Visualizar meu perfil completo
O email do blog: espirito_dacoisa@hotmail.com

O podcast do PSQC - A transformação das coisas em palavras sonoras


Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Fragmentos de Edward Hopper








































Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.


*Imagens obtidas em qualquer pesquisa rápida pela Net

Domingo, 12 de Julho de 2009

o sentido das coisas


A luz encerra seu expediente.
O ambiente dá as boas vindas à escuridão.
Nada mais há.
Só a sala esquecida em seus retalhos.

A tela da máquina divide seu espaço na mesa.
O porta retrato contém a imagem do casal.
O significado das coisas.
As coisas.

A caneta repousa encima do papel branco rasgado ao meio.
A tinta nela contida está prestes a derramar-se.
Pronto.
Gotas pingam sobre a face que até pouco alva estava.

Permanecem empilhados um sobre o outro.
Agenda.
Caderno.
Grampeador.

Todos ali.
Existindo.
Na ausência.
Agora frestas de luz chegam do poste que por perto pisca.

Pisca.
Pisca.
Uma formiga.
Jantava um grão da bala derretida e esquecida dentro da gaveta aberta.

Caminha.
Em sua velocidade de formiga.
Tropeça no apontador.
E continua.

Passa em frente à caixa que contém os rostos do casal.
Imune à imagem que reflete a pouca luz que ali existe.
Um grampo cai ao chão.
Resvala na lixeira.

O ruído de sua queda não chega a ninguém.
A formiga com seus ouvidos de formiga não ouve.
O casal da foto olha para frente e vê a maçaneta.
A maçaneta não sabe de sua existência.

Ninguém sabe o que pensavam no momento em que posaram para o retratista.
Nem a formiga.
Nem a tela.
Nem a caneta.

A tinta negra escorre e também chega ao chão.
Perto do grampo caído.
Estão próximos.
O grampo não sabe da existência do negro líquido, não sabe que é negro.

O mosquito toca com suas presas o rosto da mulher.
Não sabe que sangue ali não há.
Ninguém sabe o que pensavam no momento em que posaram para o retratista.
Não sabe.

A formiga morre ao cair do grampeador empilhado sobre a mesa.
O ruído que seu corpo fez ao cair ao chão ninguém ouve.
Nem o grampo.
Nem o mosquito.

O mosquito zumbe em seu vôo de fome.
Ninguém escuta.
Nem a tela.
Nem a caneta.

As frestas de luz ficam mais fortes.
O Sol lança seu perfume quente sobre as coisas.
Mas o Sol não sabe da tinta derramada, da formiga morta, do mosquito faminto.
O Sol somente aquece.

Chegam.
A lâmpada é acesa.
A porta é aberta.
O chão é pisado.

E agora?
Neste momento.
Neste exato momento.
Tudo.

Todos.
Formiga, grampo.
Mosquito.
Coisas.

Tudo sentido faz.


Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Reportagem sobre o SERH (Bom Dia Rio - 08/07/09)


O link abaixo é uma reportagem feita pelo Bom Dia Rio-RJTV, realizada pelo departamento de jornalismo da Rede Globo, matéria vinculada no dia 08/07/09.


(o nome do link é horrível, admito, mas isso é com a Rede Globo)


Acho que é um pequeno apanhado sobre o meu trabalho, de meus companheiros de labuta, e principalmente sobre o SERH - Serviço de Educação e Responsabilização de Homens Autores de Violência de Gênero. Que tem obtido excelentes resultados com homens em situação de violência doméstica, encaminhados pela justiça, convidados e voluntários.

NÃO É VÍRUS! FIQUEM TRANQUILOS!

Qualquer dúvida ou esclarecimento sobre o serviço, é só entrar em contato comigo.


Besos e muito amor neste vida para todos.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Revolta cinematográfica: Não ao filme dublado!


CHEGA! NÃO AGUENTO MAIS! VENHO POR MEIO DESTE POST DEMONSTRAR TODA A MINHA INDIGNAÇÃO:


NÃO DÁ MAIS PARA IR ÀS SALAS DE CINEMA DA BAIXADA FLUMINENSE.


Não é mais possível assistir nenhum filme em Nova Iguaçu, São João de Meriti ou Nilópolis sem ser com cópias DUBLADAS!

Não sei porque mas o
Grupo Severiano Ribeiro, e outros grupos que possuem e administram salas para a reprodução e venda da sétima arte, acham que toda a população do Rio de Janeiro, que não faça parte do eixo Centro/Zona Sul (Botafogo)/Barra, é analfabeta. Porque não há razão para que eles não reservem pelo menos uma cópia ou horário para alguém que quer ouvir voz e som originais de um filme estrangeiro.

Para citar um exemplo: Fui com minha namorada ver o filme "Wolverine" no
Severiano Ribeiro do Top(?)Shopping em Nova Iguaçu. Opção mais pipoca e comum que alguém poderia escolher. Tiro certo para diversão fácil e rápida. Chegando lá só havia uma alternativa: cópia dublada! Perguntei se poderia falar com o gerente. Foi quando o homem do guichê falou que eu poderia falar com ele, falou com tanta propriedade que acreditei mesmo que além de homem-do-guichê, ele também fosse o gerente.

Pergunta: "-Por que não existem mais cópias legendadas aqui em Nova Iguaçu?"
Resposta: "-Por que 90% do público pede cópias dubladas!"
Contrapergunta: -"Porra! E os 10% da qual eu faço parte?"
Contraresposta: ".........................................."

Gente, vocês não fazem ideia de quanto dinheiro e lucro eu já dei para o
Grupo Severiano Ribeiro. Possuo uma caixa repleta de tickets de filmes que não jogo fora, e que vão perdendo as informações, ficando só aquela contracapa escrito em vermelho: Severiano Ribeiro. Mas não me importo, pois sei que aquele papelzinho representa a memória de algum filme (bom ou ruim) que me emocionou e marcou um momento de minha vida dentro de um cinema. Sou um cinéfilo inveterado e apaixonado.

Mas continuando nossa saga...

Depois de resistir um pouco e de alguns palavrões ditos em voz inaudível (e que só Dona Carla pôde desfrutar), entramos na sala para assistir ao mutante de garras de osso e depois de adamantium. Bom, o filme é fraco, mas isso não importa.

O que importa é que fomos assistir ao filme já putos da vida, e para a nossa não-surpresa essa foi a cópia com a dublagem e com o som mais porcaria que já vimos e ouvimos em uma longa trajetória de filmes assistidos, juntos ou sozinhos. Nós não conseguíamos ouvir as vozes mal-dubladas dos personagens e para completar a cópia tinha um CHIADO horripilante. É isso mesmo que vocês estão lendo! Vimos o filme mais pipoca do ano com um tremendo de um chiado. Chiado este que fez com que nós perdêssemos, por exemplo, as falas na cena do helicóptero (quem não viu... não liguem, não há muito o que perder).

Saímos frustrados com a falta de respeito da empresa com relação ao som da cópia oferecida aos clientes e depois desse evento decidi não mais ver filmes da rede e muito menos com cópias dubladas.

O mais triste é perceber que no Rio de Janeiro só há, praticamente, duas opções para se ver filmes legais e em boas condições. Na verdade só existem dois bairros para isso: Centro e Botafogo. Se você não mora próximo, ou frequenta constantemente esses bairros... esqueça! Irá ter que aturar filmes mal dublados e com chiados. Se for da Baixada então... é melhor nem ir ao cinema, porque além disso tudo persistem os aborrecentes que vão gritar o filme todo e você pode cometer um ato violento (agradeço cada minuto que Carla me acompanha dentro de um cinema hoje em dia, pois já poderia ter cometido algum assassinato dentro da sala escura).

Só queria deixar algo claro para o
Grupo Severiano Ribeiro e para todos os shoppings que possuem cinemas:

A população da Baixada Fluminense e dos subúrbios, em sua grande maioria, sabe ler e escrever, mal, mas sabe. E uma parte substâncial dessa população deseja e almeja assitir filmes podendo ouvir e testemunhar a interpretação e som originais de um espécime hollywoodiano ou de qualquer outra origem.

Irei, então, destilar e focalizar toda a minha fúria contra o
Grupo Severiano Ribeiro com o slogan:


COM FILME DUBLADÃO, SEVERIANO RIBEIRO NÃO!

Juntem-se ao PSQC nesta companha:



Cinéfilos cariocas uni-vos neste grito contra a opressão das vozes que não combinam com os personagens. Contra o baixo volume que faz a gente ficar perguntando ao companheiro ao lado: "O que ele disse?". Aos chiados insuportáveis que quase todos os dubladões carregam.

Digam não!

Besos revoltados.


Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Good Bye, Michael!


Morreu, hoje, um dos grandes.
Cheguei em casa e recebi a notícia de meu pai: "- Tá sabendo?"
Não, não estava.
Michael Jackson, com 50 anos, tinha morrido fazia algumas horas antes.


É meio esquisito se achar próximo de alguém tão distante.
Jackson fez parte de minha infância.
Eu tinha a camisa do Michael Jackson, eu tinha a calça do Michael Jackson, eu tinha a sapatilha (!!!) do Michael Jackson. Foda-se para quem diga que era o início do consumo baseado em celebridades globalizadas. Meu pai comprou para mim as roupas, os vinis, e eu me amarrava, adorava.

Nunca acreditei que ele tivesse abusado de crianças.
E continuo não acreditando, mesmo depois de sua morte.
Michael Jackson foi um homem confuso, sem saber muito bem quem era.
Foi uma criança triste.

E também hoje, em meu trabalho cotidiano de ouvir tragédias alheias, tenho a absoluta certeza que uma violência crônica que alguém possa sofrer em uma época em que todos os seres humanos teriam a obrigação de serem felizes, a infância, pode transformar a vida de um homem, e de uma mulher, para sempre. Jackson, de fato, nunca foi feliz.

Fama?
Rios de dinheiro?
Balela!

Ele só queria ter sido criança para sempre, ter sua Neverland (que ele teve que vender pouco antes de morrer), se transformar na criança que ele nunca conseguiu ser quando deveria ter sido. Muito menino já era astro, já era estrela. Li a pouco que ele confidenciou a um amigo íntimo que fez todas aquelas horrendas plásticas para não ter o rosto parecido com o homem que tanto o fez sofrer: Seu próprio pai. E pelas crueldades e belezas da vida foi esse mesmo homem, seu pai, que acabou transformando-o no maior artista popular do mundo.

Michael Jackson foi o maior artista pop de todo o planeta Terra.

E quem faz um álbum como "Off The Wall" (produzido por Quincy Jones e lançado em 1979, ano em que nasci), só pode ser um dos grandes.

Sinceramente não sei porque escrevi tanto sobre Jackson. Talvez tenha sido porque ele fez lembrar de minha infância. Da infância feliz que eu tive e ele não. Mas da infância que ele ajudou também a alegrar.

Acho que é por isso.
Acho que é por isso que estou triste pra caralho pela sua morte.


E então digo:

Até logo meu distante amigo Michael Jackson!
E mande um beijo para a Billie Jean por mim.
See you later.

Good bye.



Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Triiim


Sono picotado.
Mais 5 minutinhos, mais 10 minutinhos.
E eu travo.
Sono picotado.
Mais 15 minutinhos, mais 20 minutinhos.
E eu travo.
Sono picotado.
Mais 25 minutinhos, mais 30 minutos.
E eu paro.

Sim. O relógio aponta, a sirene toca.

Mas eu percebo que ainda assim
é melhor o sono dormido
do que o sono acordado.

Sono picotado.
Relógio travado.
Sonhos não lembrados.


Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Domingo, 14 de Junho de 2009

vixe


Te afastas de mim, demônio.
E leva contigo os cheiros.
As imagens.
As palavras.

Te afastas e avisa em teus domínios que estou vivo.
Que estou de pé em riste.
Apontando o dedo para o que é triste.
Que travo luta inglória, mas que travo.

Te afastas e lembra-te que faz parte de todo mundo.
Porém não estás em tudo, como alguns insistem em gritar.
E que precisas existir para mostrar o que é justo.
Então só peço que te vás um pouquinho.

Que me esqueça em meu cantinho.
Buscando em mim o que às vezes nem lembro mais.
Suplico, portanto, que só voltes quando estiver inteiro.
Porque sem um verdadeiro guerreiro.

Não tem graça pelear.

Te afastas. Vai. Me deixe quieto.
Pensando.
Que não há nenhum encanto.
E que é sempre preciso...
Se encontrar.

Vixe! Xô! Vá de retro, Satanás!


Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009




Por que algumas pessoas têm medo de teatro?
Por que o público tem medo de interferir ativamente em espetáculos teatrais?
Por que o teatro é tão caro?
Por que o teatro é tão mais caro do que o cinema?
Por que é tão elitista?
Por que o teatro popular, em sua maioria, é oferecido com comédias pastelões?
Por que Shakespeare tem que ser difícil?
Por que não tem um grande teatro em minha cidade?


Ou será que esses por que(s) simplesmente não existem?


Sei lá o por que...



Show do Projeto in Cantaria‏

Projeto realizado por uma grande amiga, Maria Carolina Marchi. Repasso aos leitores do PSQC o informe:


Olá a todos!!

É com muita felicidade que o Projeto in Cantaria convida a todos para seu mais novo projeto.

Música, poesia, teatro e a arte da gastronomia juntos numa noite muito especial!
Será no Piatto Te, espaço gastronômico dos nossos queridos amigos Isley e Adriana, que nessa noite servirão o melhor dos antepastos italianos por kilo, caldinho e vinho!!

Será no dia 19/06/09, sexta-feira, às 19:30.
O Piatto Te fica na rua Piauí, 809 - São Caetano do Sul/SP.

Como trata-se de um espaço intimista e aconchegante e esse será um evento fechado, venderemos os ingressos para o show antecipadamente para podermos preparar o ambiente de uma maneira muito especial para todos nós.

O ingresso do show é R$ 15,00 e poderá ser adquirido no próprio Piatto Te ou com os integrantes do Projeto in Cantaria.

Nosso e-mail também está disponível para que façam suas reservas.
O convite está em anexo!

Contamos com a presença de todos vocês nessa noite muito especial!!!

Luz e arte sempre,




Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

enjoadinho






Estou pronto!
Ansioso. Esperando e torcendo para que você venha, chegue, logo logo.


Filho.






Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Sábado, 30 de Maio de 2009

Ramon


Ramon era o cachorro de meu avô e de minha avó.
Vivia com eles quando eu, meu pai, mãe e irmão nos mudamos para a casa deles.
Quando minha vó morreu eu ainda era muito criança.
Acho que Ramon morreu antes de minha avó.
Não sei a razão, mas acho que ainda recordo da partida de Ramon.
Foi enterrado no quintal da casa de meu tio, em frente à casa do meu avô.
Lembro, eu era criança.
Ele foi enterrado em um saco de plástico, daqueles que são feitos de fiapos entrelaçados.
Acho que era um saco de arroz.
Não lembro.
O buraco foi cavado.
E eu estava ali, criança, vendo adultos sorrindo e conversando, cavando distraidamente um buraco.
Como se nada ali houvesse.
Como se nada tivesse acontecido.
Disso eu lembro.
Seu corpo foi colocado na cova e lembro também de ter visto um pó branco.
Tempos depois descobri que era cal.
Ramon era um vira-lata robusto misturado com pastor alemão, eu acho.
Talvez.
Lembro que eu chorava meio que sem saber o motivo.
Só sei que era criança e que chorava.
Sentado em uma mureta.
Ou em pé?
Não sei.
Só lembro que...
Chorava sozinho.

E sem saber porque, hoje, com 30 anos, revi a imagem de Ramon.
E sem saber porque, novamente, me peguei chorando sozinho.
E mais uma vez, lembrei, talvez, não sei.


Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

infância (in)ventada


Tu não pertences mais a mim.
Vives em outra esfera.
Em outra ambiência.
Afastada de minha essência.

Voas como pipa perdida, avoada.
Pelas marolas do vento.
Às vezes, encarcerada num convento.
Distante.
Como memória encardida.

Mas como? Se nunca aprendi a soltar pipas.
Um dia meu pai tentou ensinar-me, em vão.
Deve ter sido por isso que não soube controlar-te.
Aprisionar-te em mim.
Ficaste perdida nos emaranhados dos sentidos.
No labirinto do tempo.

E hoje, de vez em quando, tu voltas.
Com espinhos em mãos.
Como coroa pesada, em minha nuca.
Não sinto tua falta.

Mas que...
Mentira!
Tua volta inconstante me alegra.

Infância passada.
Mulher amada.
Ondes estás agora?
Volta!
Decifra o labirinto.
Traz contigo o vento, o tempo.
E todos os outros que levaste também:

Bonecos de chumbo.
Futebol na terra.
Subidas nas árvores.
Amigos de rua.

Volta!
Só de vez em quando.

Para lembrar-me dos gritos de mãe.
Das fofocas de vizinhas.
Das brigas de moleques.
Dos ciumes de irmão.

Traga o cabelo branco do meu bom velho.
A odiada saudosa escola.
Os almoços de domingo.
Os medos do homem da sacola.

Enevoe minhas imagens.
Confunda minhas estórias.
Iluda a realidade.
Refaça as glórias.

Volta! Mas só de vez em quando.
Porque agora tenho nova vida.
Nova estrada e algumas feridas.
E a vontade cada vez maior de respirar.

Cada vez mais. Cada dia a mais.
Para fazer-me de novo criança.
Para fazer nova criança.
E reviver-te de novo em outros ais.

Agora despeço-me e digo.
Que aqui estou sob medida.
Para falar-te a qualquer instante.
Que logo logo é despedida.

Mas vamos juntos.
Navegando nosso barco.
Minha amada e maculada.
Minha velha e doce...
Amiga.


Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

O passado também merece ser (re)lido

Amigos do PSQC


O PSQC também está no Portal Literal. É só clicar!
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Site Meter